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Jeans – Dicionário de Moda

Jeans (e um pouco da história da Levi’s), na volta do Dicionário de Moda!

Quanto tempo que não posto nesta tag! Mas acostumem-se, ela será mais ativa do que nunca neste 2018! Na última semana falamos sobre a gigantesca coleção de jeans usados que a Levi’s comprou para revender, e achei que seria interessante compartilhar a história da peça de roupa mais icônica de todos os tempos. Afinal, quem não tem um par de blue jeans no seu guarda-roupa, que atire a primeira pedra!

Mas como surgiu o jeans? Porque ele ficou popular? E a Levi’s 501, como se tornou um ícone? Como a marca Levi’s acabou tornando-se praticamente um sinônimo para jeans? É com a intenção de responder a estas e outras perguntas que elaborei este post. Espero que apreciem e compartilhem sem moderação, afinal um bom par de calças jeans na nossa vida nunca é demais!

Jeans, uma breve história

Jeans são um tipo de calça, fabricadas em tecido denim. Muitas vezes, o termo “jeans” refere-se a um estilo particular de calças, chamado “blue jeans”, que foram inventados por Jacob W. Davis em parceria com Levi Strauss & Co. em 1871 e patenteado por eles em 20 de maio de 1873.

Originalmente projetado para cowboys e mineiros, os jeans tornaram-se populares na década de 1950 entre os jovens e adolescentes, influenciados pelo estilo de figuras como o ator James Dean, o cantor Elvis Presley e a atriz Marilyn Monroe. As calças jeans eram um item de moda comum entre os hippies nos anos 1960, e continuaram sendo populares entre os jovens dos anos 70 e 80, apreciadores de punk rock e rock. As marcas mais tradicionais produtoras de calças jeans são a Levi’s, Lee e Wrangler.

Origem e características

A palavra francesa para Gênova (Itália), pode ser a origem da palavra “jeans”, pois na cidade, já na Idade Média, existiam roupas tradicionais confeccionadas em “blue jeans”. Em Nîmes (França), as tecelãs tentaram reproduzir o mesmo jeans, mas desenvolveram uma sarja semelhante, que se tornou conhecida como denim, que significa “de Nîmes”.

Os jeans de Gênova eram feitos com “qualidade média e custo razoável”, muito parecido com o veludo de algodão pelo qual Gênova era famosa, e era “usado para roupas de trabalho em geral”. A marinha genovesa usava roupas em jeans. O “denim” de Nîmes era mais grosseiro, mas considerado de maior qualidade e era usado “para roupas para trabalhos pesados, como blusas ou macacões”. Quase todos os índigos, necessários para tingir o jeans, vinham de plantações de ervas em Lahore (Paquistão), pelo menos até o final do século XIX. Só então foi substituído por métodos sintéticos de tingimento desenvolvidos na Alemanha.

No século 17, o jeans era um tecido muito importante para pessoas da classe trabalhadora no norte da Itália. O termo jeans apareceu pela primeira vez em registros de 1795, quando um banqueiro suíço chamado Jean-Gabriel Eynard e seu irmão Jacques mudaram para Gênova (Itália). Em 1800, eles receberam a designação de fornecer suprimentos para tropas de guerra, incluindo uma grande quantidade de tecido que eles haviam registrado como bleu de genes (azul de Gênova), que passou a ser conhecido no mundo todo como blue jeans.

Levi’s e o surgimento de um ícone

Levi Strauss mudou da Alemanha para Nova York em 1851 para se juntar a seus irmãos mais velhos que tinham uma loja de produtos não perecíveis, como roupas e ferramentas. Em 1853, ele mudou para São Francisco para abrir seu próprio negócio, de forma a vender suprimentos para os mineradores durante a corrida do Ouro no oeste dos EUA.

Jacob Davis era um alfaiate que costumava comprar tecidos da casa de atacados de Levi Strauss & Co.. Em 1872, Davis escreveu para Strauss pedindo rebites, para a produção de calças para os trabalhadores das minas e ouro. Os rebites de cobre reforçaram os pontos de estresse das roupas do alfaiate. Levi posteriormente recebeu e aceitou a oferta de parceria com Davis e os dois conseguiram a patente para a produção de calças rebitadas do governo dos EUA em 20 de maio de 1873.

Como nasceu o jeans Levi’s 501

Davis e Strauss experimentaram diferentes tecidos para a produção de calças para trabalhos pesados. Uma tentativa precoce foi feita de um tecido de algodão, que era mais leve. Ao encontrar no denim um material mais adequado e resistente para roupas, eles começaram a usar o mesmo em suas calças rebitadas.

Inicialmente, as calças jeans de Strauss eram usadas ​​por trabalhadores de fábrica, mineiros, fazendeiros e criadores de gado em todo o oeste norte-americano. Quando Levi Strauss & Co. patenteou o protótipo moderno produzido em massa no ano de 1873, havia dois bolsos na frente e um na parte de trás com rebites de cobre. Mais tarde, os jeans foram redesenhados para a indústria padrão de hoje com 5 bolsos, incluindo um bolso pequeno para relógio de bolso e rebites de cobre.

Com seu corte atemporal e décadas de público fiel, a calça jeans Levi’s 501 está presente no guarda-roupa de qualquer fashionista. Hoje pode ser encontrado em diversas versões: reta ou skinny, liso ou destroyed, se encaixando com facilidade em todos os estilos e idades.

O jeans 501 da Levi’s é o primeiro produto lançado pela empresa (data de 1853, quando ainda se chamava XX) e até hoje é o mais vendido. Começou a utilizar o número 501 como marca registrada somente no ano de 1890. Esse número não foi escolhido, apenas marcava o lote de tecido das primeiras calças jeans registradas e com patente. Por isso, o modelo foi batizado de Levi’s 501.

Uma década depois do lançamento as calças passaram a ter dois bolsos traseiros (antes tinham um só do lado direito) e, seguindo as mudanças na moda masculina, elas ganharam passadores de cinto no ano de 1922. Com o passar dos tempos a empresa lançou modelos diferentes, com vários tipos de lavagens, dentre elas a Coal (introduzida em 1933) e a selvagem (introduzida em 1947), que inspirou os Beatniks dos anos de 1950.

Como a marca Levi’s se tornou um ícone do jeans

Após criada, a calça jeans foi aceita rapidamente não só pelos mineiros, como também pelos agricultores, ferroviários e vaqueiros dos EUA. Mas apesar do sucesso, muitos reclamavam que as calças poderiam ter uma cor menos opaca. Além disso, o material era muito rígido e desconfortável, o que fez Strauss buscar um tecido de igual resistência, porém, mais flexível. Foi em 1860 que trocou o dungaree pelo denim fabricado na França. Os americanos passaram então a chamar a calça de “blue jeans” devido a sua coloração azulada.

Levi começou a fabricar as calças jeans em denim, e rapidamente elas se tornaram populares. Filiais da loja familiar foram abertas e, utilizando a publicidade através de catálogos, a empresa prosperou rapidamente. Em 1873, a patente da calça jeans azul com rebites foi registrada, e por isso o dia 20 de maio de 1873 é considerado oficialmente o “aniversário do blue jeans”.

Outro jeans famoso da Levi’s, o 505, foi lançado no mercado após a invenção do zíper, em 1893. Era igual ao modelo 501, incluindo o padrão de cinco bolsos que conhecemos hoje, exceto pela frente com abertura de zíper ao invés de botões. Em 1895, a empresa diversificou sua linha de produtos com o lançamento de suas primeiras calças para ciclistas.

Com a morte do fundador da empresa em 1902, seus sobrinhos, Jacob, Louis, Abraham e Sigmund Stern, assumiram os negócios. Durante a década de 1920, um sistema de linha de montagem foi adotado pelas fábricas da Levi’s. Nesta época o momento para a venda de produtos feitos de jeans não era dos melhores, pois o preço do algodão caiu violentamente, o que tornava as roupas de algodão sujeitas a reduções de preços. Apesar disso, a empresa manteve o orçamento publicitário de US$ 25.000, pois acreditava que a propaganda (na forma de painéis e anúncios pintados) era importante para o sucesso das vendas do jeans.

Somente no ano de 1928 o nome Levi’s foi registrado oficialmente como marca. Na década de 1930 a depressão econômica chegou aos Estados Unidos e a demanda por calças jeans despencou drasticamente. Para evitar demissões em massa, uma das principais fábricas da companhia entrou em regime de trabalho com semana reduzida, para evitar demissões. Outros receberam tarefas fora da produção, como assentar pisos de madeira, sendo que alguns são usados até hoje em suas lojas.

Foi nesta mesma época que empresa adotou a figura do caubói como ícone publicitário, associando o estereótipo ao waist overalls da Levi’s 501. Rapidamente os caubóis usando jeans Levi’s foram elevados ao status mítico, e as roupas do oeste tornam-se sinônimos de uma vida de liberdade e independência. Os habitantes do leste dos EUA que queriam uma experiência autêntica de caubóis viajavam para cidades no oeste, onde compravam seu primeiro jeans Levi’s e os levavam para casa para impressionar seus amigos, ajudando assim a espalhar a influência do oeste no resto do país e divulgar a marca.

Durante a WWII, o design das calças jeans Levi’s foi modificado devido a determinações governamentais em relação à economia de matérias-primas. Com isso, a famosa costura arqueada no bolso traseiro passou a ser pintada ao invés de costurada para economizar linha. A fivela traseira no cós foi removida completamente e, para economizar metal, os rebites do bolso para relógio também foram removidos. O fato dos soldados americanos que lutaram na Segunda Guerra usarem jeans e jaquetas da Levi’s na Europa foi o que permitiu aos produtos da marca a sua primeira exposição internacional.

A partir de 1945, houve um crescimento absurdo na demanda por calças jeans. Nos Estados Unidos, filas de espera se formavam diante das lojas de departamento que vendiam as roupas da Levi’s, que anunciavam em cartazes a data da próxima entrega de jeans.

O blue jeans

Depois que James Dean apareceu em Rebel Without a Cause vestindo jeans, a peça de roupa virou um símbolo de rebelião juvenil da década de 1950. Nos anos 1960, o uso de jeans tornou-se mais aceitável e, na década seguinte, passou a ser peça de uso comum casual, presente no guarda-roupa de qualquer pessoa.

O que tornou a calça jeans da Levi’s popular nos anos 60 foi o movimento hippie. Há quem afirme que o evento parecia ser patrocinado pela marca, uma vez que praticamente todo o seu público vestia calças jeans desbotadas (algumas customizadas rasgadas e bordadas).

Este movimento ajudou a marca a ganhar força em todo o mundo, pois tornou-se símbolo de uma época. E foi no final dos anos 70 que a marca introduziu as bocas de sino na sua linha de jeans.

Mas somente em 1983 é que foi inaugurada a primeira loja própria da marca, chamada Original Levi’s Store, na Espanha. Em menos de uma década, a marca já contava com 527 lojas em toda a Europa. Somente em 1991 a primeira unidade americana foi inaugurada na cidade de Columbus, estado do Ohio (antes eram vendidas em lojas de departamento e lojas multimarcas).

Marketing, usuários fiéis, qualidade e fãs fizeram da Levi’s um sinônimo para jeans.

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Assista ao vídeo que conta a história do Jeans Levis 501!

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