Cronista da vida, das coisas e do mundo. Lifestyle, um pouco de tudo.

Música

The Man Who Sold The World, música de Bowie mas que muitos pensam ser do Nirvana

Apesar da versão do Nirvana ser mais famosa, “The Man Who Sold The World” é uma música de David Bowie, que completaria 75 anos hoje.

Poucas coisas são tão ultrajantes no universo da música do que atribuir determinada música ao autor errado, e The Man Who Sold The World de David Bowie é uma das que comumente é dita ser do Nirvana. Não julgo quem desconhece o fato, pois sei que muita gente só conheceu a mesma através do famoso cover feito pelo trio de Seattle em seu icônico MTV Unplugged.

Mas é fácil perceber que a informação, da forma como é controlada hoje em dia por grandes conglomerados de comunicação e plataformas como o Google, induzem os não críticos ao erro. Veja por si mesmo as imagens coletadas abaixo, do meu desktop and celular (sim, a pessoa que é team Bowie há anos, basta vasculhar meu @janinastasiak). Em ambas, a primeira resposta para a busca pelo nome da música, indica o vídeo do Nirvana.

Algo que, considerando o algorítmo (que sabe mais da nossa vida do que nós mesmos, pois tudo que pesquisamos, fica registrado para nos mostrar resultados tendenciosos), é totalmente errôneo. Sendo eu alguém que pesquisa muito sobre David Bowie e sua obra, e quase nunca sobre o Nirvana, deveria me indicar diretamente a música composta e gravada por Bowie em 1970. Bem como seu álbum homônimo, lançado em 1971, que só aparece no detalhe ali no cantinho.

Mas qual a explicação? Jurava eu que seria pelo fato de que David Bowie faleceu bem mais recentemente do que Kurt Cobain (que tirou a própria vida antes mesmo do lançamento do famoso especial da MTV gravado em 1993). A justificativa mais provável é a escolha da plataforma em priorizar resultados com vídeo, e entre eles, escolher o mais popular.

Porém, venho neste que seria o dia do aniversário de 75 anos de Bowie, fazer justiça a esta música que é a minha favorita dele. E se você não sabia, anota aí para sempre: The Man Who Sold The World é apenas um cover do Nirvana para uma música excelente composta por David Bowie. Após a performance de 2000 que compartilho abaixo, um pouco sobre o significado da canção. (e me ajuda a dar views nesse vídeo para o Google aprender a nos dar respostas corretas!)

Sobre The Man Who Sold de World de David Bowie (e não do Nirvana)

Essa música é sobre um homem que não se reconhece mais e se sente mal por isso. Durante anos, Bowie lutou com sua identidade e se expressou através de suas músicas, muitas vezes criando personagens para interpretá-las. Na capa do álbum, ele está usando um vestido.

Algumas partes da letra são baseadas em um poema de Hugh Mearns chamado The Psychoed:

“As I was going up the stair
I met a man who was not there
He wasn’t there again today
I wish that man would go away”

Algumas análises líricas afirmam que o trecho “We pass upon the step” é uma representação figurativa de uma encruzilhada na vida de Bowie, onde Ziggy Stardust vislumbra seu antigo eu (sendo David Bowie) que ele achava que havia morrido há muito tempo. Então ele (o velho David Bowie) diz: “Ah, não, eu não. Eu nunca perdi o controle.” Isso indica que Bowie nunca perdeu de vista quem ele era, mas ele vendeu o mundo (fê-los acreditar) que ele se tornou Ziggy, e ele achou engraçado (eu ri e apertei sua mão). Ele continua afirmando: “Por anos e anos eu vaguei”, o que poderia se referir a turnês. “Olhe um olhar fixo para todos os milhões aqui” são os fãs em shows.

O álbum é um dos menos conhecidos de David Bowie, mas ao longo dos anos muitos fãs passaram a apreciá-lo e muitas bandas fizeram covers de músicas dele, além do Nirvana. Perguntado pela revista Mojo em uma entrevista de 2002 sobre qual de seus álbuns ele ouviria por prazer, Bowie respondeu: “Acho que o mais criativo dos primeiros trabalhos foi provavelmente The Man Who Sold the World. Eu realmente gosto muito desse álbum.”

Bowie acrescentou que ouviu o disco depois de se reunir com seu produtor, Tony Visconti, para a produção de Heathen, de 2002. “Tem algumas ideias musicais realmente interessantes além de qualquer outra coisa”, disse ele. “Tirando os elementos nostálgicos, os elementos musicais são muito bons. Há um uso interessante de sintetizadores e instrumentos estranhos. Tem alguns sons legais nele. Acho que as estruturas das músicas também são interessantes.”

— — —

Para mais posts sobre músicas velhas e que jamais perderão a relevância, acesse esse link aqui.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.