Cronista da vida, das coisas e do mundo. Cultura, moda e arte.

Geral

Mundo ordinário

Os momentos em que mais me odeio, são aqueles em que me comporto como as outras pessoas. Passa-se um terço da vida tentando assimilar o que é certo e o que é errado, para agir por instinto quando estamos rodeados pela mais completa ignorância.

E como frustra saber que nada disso é necessário. Conheci pessoas de diversos países do mundo, e em raras percebi essa maldade, esse “eu tenho que me dar bem sempre, os outros que se danem”, elemento tão presente na personalidade do povo brasileiro. Herança maldita? De quem, se tantos povos diferentes colonizaram estas terras? Mas o que importa é que essa cultura de só receber, e nada dar em troca, definitivamente, não combina comigo. Quero lembrar que não estou generalizando sobre o comportamento cultural do povo brasileiro, são impressões em que me incluo, afinal nasci aqui e também carrego esta herança. E este não é um estudo antropológico, é somente uma reflão ordinária.

Entendo o motivo pelo qual algumas pessoas se isolan do grande bloco, como o escritor Rubem Foseca, que àparte todas as críticas, não fala com a imprensa. Ele pode ser um glutão, um cretino até (pouco sei, pois não o conheço. E quem o conhece? Quem conhece alguém, verdadeiramente?), mas admiro, antes de seu talento literário, essa luta ferrenha em preservar-se.

Logo eu que, por tantas vezes e por tantos motivos sempre me doei, me entreguei à árdua tarefa de ajudar os outros mesmo sem perspectiva de receber algo em troca, sinto-me cada vez mais arrependida de dividir qualquer coisa com quem não sabe dividir. Para quê agradar quem não está nem aí para ver um sorriso nosso? O mundo está ficando, deveras mais ordinário.

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