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Pequeno conto onde sonho perdura

Sabe-se lá porque sonhou com um assalto e acordou com a certeza de que iria ter um infarto de tão forte que o coração batia. Levantou em um pulo, sem saber o que fazer, pois nunca tinha tido um infarto e logo foi tomada pelo sono, ao que concluiu: “Se é para morrer agora, que seja dormindo!”

Quando finalmente levantou, tomou o mate com a leve sensação de que a água estava fria, será que havia perdido a medida? Lá fora ventava e de lisa tornou-se crespa num dia que já estava se tornando anormal. Não tanto quanto um quadro de Dali, mas porque os dias que não decidiam se fazia chuva ou sol pareciam-lhe tão estranhos? Lembrou que ele sempre a repreendia por ficar tão impressionado com sonhos e procurou deixar aqueles pensamentos, aquela hora tolos, no outro canto da memória.

As horas andavam arrastadas, como se não quisessem acontecer. A sensação de que não deveria ter saído da cama perdurava e torturava como água morna, em um não sentir frio nem calor. Quando enfim o dia de trabalho terminou, rumou para casa e já na rua, viu-se sozinha num beco estranho, fazendo um caminho que nunca havia feito.

Apertou o passo e no instante seguinte, viu-se diante de uma figura mal vestida e com cara de louca, que lhe apontava uma arma. Rapidamente deu-se conta de que vestia o mesmo casaco do sonho e antes que pudesse mentalizar a palavra dé jà vu já havia levado um tiro. Não viu quando o ladrão levou sua bolsa, apenas pensou que teria sido bem melhor se tivesse tido um infarto.

Janina Stasiak – 19/08/2009

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