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Cura pelos Clássicos de Ficção: O Minotauro, de Monteiro Lobato

Monteiro Lobato e uma viagem pela Grécia de Péricles, em mais uma review de livro de um escritor brasileiro.

Nono post crônica da serie Cura pelos Clássicos de Ficção.

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Preciso confessar que ainda não tinha lido este livro de Monteiro Lobato, mas queria muito trazer um livro do autor brasileiro. E este atiçou a minha curiosidade, pois O Minotauro é um personagem mitológico e semanalmente, posto sobre mitologia no meu @janinastasiak. Os post mais recentes foram sobre o mito da fundação de Roma!

Assim como boa parte da obra de Lobato – escritor nascido em Taubaté no ano de 1882 – este é um livro infantil que narra as aventuras de Dona Benta e seus netos na Grécia Antiga. A obra do precursor da literatura infantil no Brasil aborda história, arquitetura, ciência, matemática e vários outros temas em um ambiente de fantasia.

Neste livro de Monteiro Lobato, que é parte do universo do Sítio do Picapau Amarelo, Emília, Narizinho, Pedrinho, Dona Benta e o Visconde de Sabugosa partem para a Grécia Antiga tentar resgatar Tia Nastácia. Ela teria sido capturada por um monstro mitológico, o Minotauro.

Tendo em mãos o mote deste livro, segue a minha review!

O Minotauro de Monteiro Lobato em uma viagem pela Grécia Antiga

Preciso confessar que neste momento em que tanto tenho lido e escrito sobre mitologia, foi bem fácil ser fisgada pela leitura de O Minotauro, quando decidi trazer para esta serie um livro de Monteiro Lobato. Mas sinceramente não esperava aprender tanto sobre história, ciência e filosofia em um livro para crianças.

E proposta de levar os personagens hoje conhecidíssimos no Brasil para uma viagem no tempo cabe facilmente ao imaginário de qualquer pessoa que goste de ficção, independente da idade. E a leitura flui de maneira encantadora na proposta de apresentar fatos históricos através dos diálogos.

Talvez se lesse esse livro em criança não teria percebido, mas claramente o escritor usa a fala de Dona Benta para expressar seus próprios pensamentos sobre o mundo moderno, em comparação com a grandiosidade da Grécia de Péricles. O célebre estadista que viveu no século 5 a. C. foi um dos grandes responsáveis pela construção do Partenon de Atenas, com a ajuda de seu amigo e artista/arquiteto Fídias.

Fídias apresentando o Partenon aos atenienses.

Os capítulos são curtos, o livro não tem mais do que 160 páginas, mas a quantidade de informação relevante repassada é, para ser justa, imensurável. Indicaria para jovens leitores como uma excelente ferramenta para sintetizar conhecimento que deveria ser posse de todos.

Em O Minotauro, os personagens abordam a influência da Grécia na nossa língua, dão exemplos de retórica e falam da influência na arquitetura, além de discutir até biologia e física. Mas o que chama atenção mesmo é o conhecimento profundo que Dona Benta tem sobre todos os assuntos abordados, nada mal para uma senhorinha de uma fazenda imaginária.

Isso me fez pensar em um paralelo sobre algo que sempre existiu, em todas as eras da humanidade: alguém que estuda o passado, tem muito conhecimento, e cuja opinião e sabedoria não são levados em consideração. Claro que a situação é meio absurda, pois como que uma senhora que se diz vinda do futuro (no caso, 1939) pode dizer à Péricles que tudo o que ele está construindo em seu tempo, será destruído no futuro e de forma vil?

Por fim, quero lembrar que este livro representa também uma viagem do tempo atual, para o passado em que Monteiro Lobato o escreveu, onde muitas coisas eram diferentes. O livro foi escrito no final da década de 30, e muitas das expressões usadas pelo autor, hoje são inadequadas e categorizadas como racistas.

É preciso considerar que a literatura retrata a época em que foi escrita, e deve servir de ferramenta para analisar as mudanças pelas quais nossa sociedade passa. Dito isso, boa leitura e até a próxima!

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