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Cura pelos Clássicos de Ficção – Grande Sertão: Veredas

Mais uma review de um clássico da literatura brasileira, hoje falando de Grande Sertão: Veredas, do escritor mineiro Guimarães Rosa.

Décimo primeiro post crônica da serie Cura pelos Clássicos de Ficção.

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Jamais vou esquecer que prometi para a professora Daniela Segabinazi, na aula de Literatura Brasileira 3, que leria Grande Sertão: Veredas por completo. Ela entendia que com o volume de disciplinas que eu estava fazendo por semestre, seria difícil ler esta grande obra com atenção e por completo.

Não que até este momento eu tenha terminado a leitura desta obra incrível, publicada por Guimarães Rosa pela primeira vez em 1956. Mas a serie de posts precisa ganhar seguimento e como aqui falo da minha leitura e não faço um resumo em si, achei que era tempo de escrever sobre ele. Uma vez que estou me sentindo totalmente dentro deste Grande Sertão: Veredas.

Mas vou terminar, profe Dani. Pois bem sabes que não sou de desistir das coisas.

Sobre Grande Sertão: Veredas

O romance experimental e modernista escrito por João Guimarães Rosa foi pensado inicialmente como uma novela parte de outro livro do autor, chamado Corpo de Baile. Mas quis o destino que essa história crescesse, ganhasse o mundo, se se tornasse uma das maiores obras da literatura brasileira.

Antes de elaborar o mesmo, o mineiro realizou duas viagens que serviram de grande inspiração para a construção do mesmo: em 1945 no interior de Minas Gerais para rever as paisagens de sua infância; em 1952, quando acompanhou a condução de uma boiada pelo sertão mineiro. Essas experiências foram de grande influência para a composição do que Guimarães Rosa chamou de “autobiografia irracional”.

Versa sobre a vida do jagunço Riobaldo, que narra sua vida pelo sertão, para um ouvinte que não aparece e não fala. Um dos destaques principais e que entrelaça toda a narrativa está na relação deste narrador e seu amigo, o também jagunço Diadorim. Entre os muitos causos e lendas que a narrativa de Rosa trouxe para a história de Grande Sertão: Veredas está o mito de era possível fazer um pacto com o demônio.

E é sobre isso que falo, na minha breve review.

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Sobre Amor e o Diabo, em Grande Sertão: Veredas

Sabe-se lá porque esta foi uma das leituras que mais aflorou meu lado sentimental e poético. Talvez uma questão de linguagem, uma vez que ler Grande Sertão: Veredas tem sido para mim como aprender uma nova língua. Sinto-me completamente imersa em uma região e cultura com a qual pessoalmente nunca tive contato, mesmo sendo também parte deste imenso Brasil.

Eu sei que é justamente por isso que não é fácil, que muitos nem tentam ler este livro, afinal aqui estou na segunda tentativa de completar a leitura. Mas ao mesmo tempo, cada vez que entro nesta leitura, me encontro sem querer sair. Pois quero conhecer toda a história de Riobaldo, saber que fim levou Diadorim, e qual foi o desfecho para aquele sentimento intenso.

Sim, eu sei como acaba essa história, muito antes de me interessar pela leitura de Grande Sertão: Veredas, pois eu conheci o seriado que foi feito baseado na obra de mesmo nome, lá em 1985. Mas uma história de amor contada pelas palavras da pessoa que ama, tem muito mais emoção – e talvez esteja bem aí a genialidade deste livro de Guimarães Rosa.

Mas me diga, como não se emocionar com sentimentos tão intensos como este trecho que coletei aqui? Uma lágrima tenta escapar cada vez que leio isso:

“Pois minha vida em amizade com Diadorim correu por muito tempo desse jeito. Foi melhorando, foi. Ele gostava, destinado, de mim. E eu – como é que posso explicar ao senhor o poder do amor que eu criei? Minha vida o diga. Se amor? Era aquele latifúndio. Eu ia com ele até o Rio Jordão… Diadorim tomou conta de mim.”

E também tem essa coisa toda de pacto com o Diabo. Se fez, se desfez, se não tem prova de que Deus existe, por que existiria o Coisa Ruim? Essas coisas mexem comigo, tanto que estava a salvar frases e questionamentos do livro sobre céu e inferno, para minha própria posteridade. Guimarães Rosa criou um sertão em mim.

Encerro por aqui, para que possa prosseguir com o livro, com um pensamento que extraio dessa leitura que considero obrigatória, para quem se importa com a própria existência. Toda alma é um grande sertão, onde com dificuldade, pouca umidade e aspereza, tenta-se cultivar o que não é dor.

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