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Cura pelos Clássicos de Ficção: Gente Pobre, de Fiódor Dostoiévski

Seguindo com as reviews de Clássicos da Literatura Mundial, hoje é dia de falar sobre Gente Pobre de Fiódor Dostoiévski.

Décimo primeiro post-resenha de livro da serie Cura pelos Clássicos de Ficção.

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Compartilhei minhas aflições em post recente por não saber como começar a leitura dos livros de Fiódor Dostoiévski e em uma rápida consulta ao novo pai dos burros (a.k.a Google) descobri que não sou exceção. Assim como também compreendi por que muita gente simplesmente torce o nariz a mera menção ao nome do autor. Veja uma das respostas abaixo para a pergunta “Which Dostoievski novel should I read? (Qual livro de Dostoiévski eu deveria ler?”.

Entendo que este livro é considerado por muitos a obra-prima do escritor russo, mas jamais recomendaria um calhamaço, uma história tão complexa e detestada por muitos, como o livro para introduzir qualquer autor. Digo isso porque em literatura, estuda-se a obra de grandes autores, e para entendê-la muitas vezes é necessário começar pelos primeiros livros. Isso ajuda na familiarização com o estilo de escrita, com o tipo de aventura com a qual você passará a conviver, com a evolução do escritor (e também seus propósitos).

Claro que isso não é regra, Cem Anos de Solidão é o livro que mais destoa de todas as obras de Gabriel García Marques, por exemplo, todo mundo recomenda a leitura. E não é um livro refutado por tantas pessoas, assim como Crime e Castigo é. Eu mesmo já tentei ler o dito cujo umas três vezes e sinceramente nunca me senti apegada o suficiente para continuar a leitura. No futuro talvez, depois de me aventurar em outros livros de Fiódor Dostoiévski, pode ser que eu mude de ideia.

E bem por isso acredito que nem sempre é questão de ser um livro “bom” ou não e sim do momento em que você ele. O que você espera, o que você precisa, por que caminhos você quer se perder. O futuro ao tempo pertence e eu mesma era daquelas que na escola odiava José de Alencar e hoje amo.

Dito isso, vamos ao que interessa? Segue a minha (pobre) review de Gente Pobre.

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Gente Pobre, de Fiódor Dostoiévski

E para ingressar no universo de Dostoiévski, resolvi começar pela leitura de um dos seus primeiros romances, uma obra realista publicada em 1846, chamada Gente Pobre. O formato epistolar – no formato de cartas – não é muito comum, mas estruturado de forma hábil e inteligente. Nele, o autor revela gradualmente, a vida de dois moradores da classe trabalhadora de São Petersburgo, dois primos em segundo grau: Makar Alekseevich Devushkin e Varvara Alekseevna Dobroselova.

Devushkin é um copista do governo de meia-idade, que vive em uma casa miserável que divide com meia dúzia de outros inquilinos e suas famílias; ele ganha salário escasso, está constantemente se preocupando com o estado lastimável de seu guarda-roupa e vez ou outra, contrai dívidas. No entanto, ele adora sua prima mais nova Varvara, uma costureira que vive com sua governanta em uma situação similarmente miserável do outro lado da rua, e escreve para ela com frequência – muitas vezes dando-lhe presentes caros que ele não pode pagar.

O que penso é que talvez, para algumas pessoas, seja difícil criar conexão com este enredo, de pessoas em situação miserável. Sem conexão é bem difícil torcer pelos personagens, difícil esperar por um final feliz, se empolgar com esta obra de Fiódor Dostoiévski e seguir com a leitura até o fim.

Digo isso porque lembro muito bem do período em que tivemos que ler Os Ratos (de Dyonelio Machado) na escola, e fui uma das poucas da minha turma que realmente interessou-se pelo livro. Eu queria saber o desfecho, por mais que a história fosse triste, e torci por um final feliz do começo ao fim. Logo eu, que não costumo escrever histórias com final feliz. E Gente Pobre me lembrou muito desse romance brasileiro, que só conquista quem tem um pouco de altruísmo.

Pois é difícil se sentir interessado por um universo de tanta pobreza e aflição sem um pouco de empatia pela dor e sofrimento dos outros. Que neste caso é ficcional, mas que retrata situações muito realistas não só da época em que foi escrito, mas que persiste atualmente e não só na Rússia. Se você for ler este livro, espero que aprecie este romance breve no mínimo com um olhar de compaixão.

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Para comprar os livros mencionados neste post:

Gente Pobre, de Fiódor Dostoiévski

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Cem Anos de Solidão, Gabriel García Marques

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Os Ratos, Dyonelio Machado

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2 thoughts on “Cura pelos Clássicos de Ficção: Gente Pobre, de Fiódor Dostoiévski
  • Dani disse:

    Agora pode seguir lendo na ordem de publicação. Pelo menos até “Noites brancas” que também é acessível, envolvente e muito divertido, ou trágico, dependendo do ponto de vista do leitor.

    Acredita que me primeiro Dostô foi “Crime e castigo”? Eu lembro do desespero de não estar envolvida com a história até um determiado ponto. Depois, foi um “pelamor preciso saber como termina”. hahah

    • Bom saber a opinião de quem conhece mais a obra de Dostoiévski do que eu.
      O difícil é segurar a onda e alternar com as outras leituras que quero trazer para a serie de posts!

      Obrigada e volte sempre Dani!

      Beijos, Janina

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