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Cura pelos Clássicos de Ficção: 1984 de George Orwell

Crônica sobre o livro 1984 de George Orwell e o futuro pensado por ele, hoje nem tão distópico quanto gostaria que fosse.

Quarto post crônica de livro da serie Cura pelos Clássicos de Ficção.

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Publicado em 1948, o livro 1984 de George Orwell é um belo exemplo de como a escrita é uma forma de comunicação que pode resistir ao teste do tempo. Mesmo após décadas de seu lançamento, nada poderia ser mais atual que este livro.

O grande contraponto, porém, é o fato desta ser considerada uma obra de ficção que relata um futuro distópico (mais precisamente, no ano de 1984). Mas é um livro que tem tantas semelhanças com o nosso agora, que ouso pensar que ele nem deveria ter entrado nesta serie.

Mesmo assim, li 1984 de George Orwell e abaixo segue a minha review. Você pode até não gostar do que vou falar, mas tenho certeza de que analisar bem o momento que estamos vivendo, não é nada absurdo.

1984 de George Orwell e um futuro mais realista do que gostaríamos

Demorei muito tempo para ler este livro, e talvez tê-lo feito neste momento em que vivemos esta pandemia tenha sido um erro. Justamente porque escrevo aqui com a intenção de sugerir um remédio para a realidade, nesta serie que chamei de Cura pelos Clássicos de Ficção.

Explico-me: quando George Orwell escreveu seu 1984, há mais de 70 anos atrás, não o fez com a intenção de criar uma realidade paralela ou mesmo um simples livro de ficção sobre um futuro distópico. Ele queria fazer uma sátira, baseada nas suas observações sobre o que seria o futuro do mundo (ou parte dele) sob o comando do regime socialista soviético.

O problema todo – e que me fez quase adoecer durante a leitura do mesmo – é a extrema semelhança com o mundo em que vivemos atualmente. Mesmo sendo este mundo de décadas depois.

Eu vou dar apenas uns poucos exemplo – no mais, deixo a seu critério e própria percepção pessoal de leitura – para conectar similaridades entre o futuro de Orwell e o nosso presente.

Em 1984 , as “telas” estão sempre observando você – tudo o que você faz, em qualquer lugar onde você está. Até as suas expressões faciais são captadas e analisadas. Seus próprios vizinhos não hesitam em denunciar seus desvios de conduta se isso lhes der uma vantagem junto ao Partido.

No mundo real de 2021, celulares, câmeras e afins seguem cada movimento nosso. Nossas informações mais pessoais são coletadas e compartilhadas sem que tenhamos nenhum controle, e nós ainda estamos pagando por isso. E nossas condutas “erradas” durante a pandemia que estamos vivendo agora são denunciadas por quem concorda com as regras.

No livro, o regime da Oceania é governado por autoritários com a ajuda da “Polícia do Pensamento”, que busca identificar “traidores” por pensarem fora das ideologias do governo. Os traidores são punidos (às vezes com a morte) por terem “crimes de pensamento”.

Não precisamos olhar muito para trás em nossa própria história para ver com que rapidez governantes de 2020 extrapolaram as regras para determinar o que seria feito da vida de milhões e milhões de pessoas. Como na França onde a população precisa justificar até as saídas para comprar cigarros durante este primeiro ano de pandemia.

E poderia seguir por muitos outros parágrafos citando similaridades entre o futuro de Orwell e nosso tenebroso presente. Limito-me a dizer que se você não vê nada de errado no que está acontecendo no mundo neste momento – onde liberdades tão primárias como o direito de ir e vir já não existem – é porque este livro não é nada ficcional e sim um relato do presente a que fomos sentenciados.

1984 é 2021, e não é um livro de ficção. Infelizmente, tem muito mais realidade nele do que gostaria.

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A edição que li do livro 1984 de George Orwell é esta especial, disponível na Amazon.com.br

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