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Abstrair

Who cares - Imaginação Fértil

Faz bem pouco tempo, alguém comentou comigo que tinha a capacidade de se abstrair de determinadas situações. Não recordo a ocasião ou o motivo, mas isso tornou-se uma espécie de divertimento para mim.

Rapidamente, sentia-me capaz de estar fisicamente e não estar mentalmente em determinado local. Acho que o cansaço colabora em muito para a capacidade de alheiar-se a tudo. Basta não prestar mais atenção nas pessoas à sua volta, nem nas conversas e sons. Fixar o olhar em determinado ponto, e não pensar em nada. Ou pensar em inúmeras coisas ao mesmo tempo, sem raciocinar, sem tentar encontrar uma lógica para o que se está pensando.

E a primeira sensação que temos quando conseguimos nos abstrair se iguala ao alívio que sentimos após um espirro. Saúde! Agora você está em paz. Consegue sentir verdadeiramente a sua respiração, os pêlos de seu corpo e até o calor do sangue que circula – em velocidade de quem está passeando – em suas veias.

Mas segurar a abstração não é tarefa muito fácil. Qualquer movimento do seu corpo pode tirar-lhe desta espécie de transe. Qualquer pergunta que remeterem diretamente a você – que obviamente vai demorar para responder, e certamente dirão que você está em outro planeta – é suficiente para você voltar ao mundo não abstraído, repleto de sensações ilusórias.

E aí você se dá conta de que não tem nem idéia do que está sendo discutido naquela aula chata. De que esqueceu até o motivo daquela reunião semanal de trabalho que nunca resolve nada. E de que por mais incrível que pareça, o chinelo Havaianas que você usou no final de semana fez um calo desgraçado em seu pé.

Mas não desista! Em um futuro bem próximo você vai estar respondendo as perguntas que lhe fazem sem sair dessa espécie de transe. Será isso que agora chamo de “abstração’, a tão falada meditação? Who cares!

A verdade é que nada melhor do que abstrair-se durante uma festa, com muitas pessoas ao seu redor, com muito barulho, pouca (ou nenhuma) luz, embalado por algumas cervejas ao som de…como é mesmo o nome daquela música? Ah, deixa prá lá.

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