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A fim de um happy end

Depois de tanto tempo sem “tempo” para ler aquilo que estou a fim, mas sim com leituras necessárias para a faculdade, consegui principiar a leitura daquele monte de livros que tenho lá em casa e que nunca cheguei a folear.

Chutei alto e fui para um livro, pequeno, é verdade, do colombiano e nobel Gabriel Garcia Marquez que ainda não tinha lido: Ninguém escreve ao Coronel.

Para começar, tenho certeza de que a leitura no original em espanhol teria sido muito mais agradável aos meus sentidos, afinal a língua hispanica tem para mim uma sonoridade romantica e doída que soa muito bem às palavras do grande mestre da literatura.

Li num tapa, um enredo sofrível e, segundo foi revelado pelo prórpio autor, que tem muito de autobiográfico. Uma história riquíssima, porque o final fica por conta de nossa imaginação. É nisto aí residiu a minha decepção extremamente individual.

Eu estava a fim de um happy end. Durante toda a minha infância e adolescência, passava noites insônes imaginando histórias de todos os tipos, com mil e um personagens – alguns ainda vivíssimos em minha mente, prontos para ganhar vida assim que os colocar no papel -, e jamais imaginei um happy end. A partir da adolência até bem pouco tempo atrás, minhas histórias passaram a não ter final porque compreendo a complexidade existente em uma narrativa de final aberto.

E agora tenho me saído com esta, querer felicidade em tudo. Não que o oposto me perturbe tanto assim, mas acredito que o princípio de todas as coisas está em querê-las. Por isso o livro de G.G. Marques, que há 10 anos atrás encontraria passe livre em minha imaginação fértil, ontem me foi indigesto.

Janina Stasiak, 24/07/2008 – 17h04

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