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A cura pelos clássicos de ficção

Diante de uma nova avalanche de livros mais vendidos de autoajuda, aqui começa minha jornada para incentivar a leitura de clássicos de ficção. Que ao contrário do que muitos pensam, não é apenas entretenimento.

Fui bem irônica nesse título, eu bem sei. Mas o faço por uma causa nobre, sem o intuito de desmerecer nenhuma categoria, apenas enaltecer (e chamar sua atenção) os clássicos de ficção. E o motivo foi apresentado aqui mesmo alguns dias atrás, quando listei os livros mais vendidos na Amazon BR.

De forma alguma quero ditar o que você deve ler, felizmente neste quesito ainda somos muito livres. Também não pretendo negar os benefícios que a leitura de um livro de autoajuda podem, de alguma forma, trazer para quem lê. Eu mesma não tenho vergonha de admitir que um dos meus livros favoritos da vida é classificado como auto-ajuda – falo de Ilusões do Richard Bach.

Mas penso que bons livros de ficção podem agregar (e muito!) para a vida de qualquer um. E quando falo em clássicos, quero me referir aos livros citados por todo mundo, que geralmente são listados como essenciais para quem aprecia literatura. E que muitas vezes detestamos em uma primeira leitura.

Porém, defendo que é uma questão de como estes clássicos são apresentados para você. Confesso que eu era da turma que detestava as leituras obrigatórias para o vestibular e que me rendi a obras como Senhora do José de Alencar depois de ser devidamente muito bem introduzida a ela durante a minha graduação em Letras.

E justamente por sentir falta desse aproach que instigue você a ler os meus clássicos de ficção que vou começar a trazer os mesmos para cá, em forma de crônica. Digo crônica e não resenha ou review, porque serão as minhas impressões pessoais, o que eu acho do livro, porque considero uma leitura interessante, e sobre a minha experiência de leitura de cada um deles.

Sim, estou falando da tal cura que mencionei lá no título. E foi para atrair quem pensa que só um livro de autoajuda pode fazer a diferença na sua vida que nomeei esta serie de posts com o título de A cura pelos clássicos de ficção. Espero que apreciem e consumam estes livros sem nenhuma moderação.

Por que ler os clássicos, segundo Ítalo Calvino

Começo por mencionar um livro que serve muito para justificar-me. A coletânea de ensaios do romancista italiano sobre os livros que ele considera essenciais foi lançada postumamente, mas aqui quero chamar atenção para o ensaio de abertura.

Nele são abordadas as várias definições do que são clássicos de ficção, e as listo abaixo para que possamos entender listas de clássicos, leituras obrigatórias e essenciais, entre outros. E também para que entendam as minhas escolhas para esta serie de crônicas. Veja:

1 – Clássicos são aqueles livros dos quais em geral, se ouve dizer “estou relendo” – e nunca “estou lendo”;

2 – Clássicos são os livros que constituem uma riqueza para quem os tenha lido e amado;

3 – Clássicos são livros que exercem influência particular quando se impõem como inesquecíveis;

4 – Toda releitura de um clássico de ficção é uma leitura de descoberta como a primeira (afinal, entre uma leitura e outra, milhares de mudanças ocorreu em sua vida e na sua forma de pensar e ver o mundo);

5 – Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer;

6 – Clássicos são os livros que chegam até nós trazendo as marcas das leituras que o precederam;

7 – Um clássico é uma obra que provoca discursos críticos sobre si;

8 – Os clássicos são livros que quanto mais pensamos conhecer por ouvir dizer, e que quando são lidos de fato, mais se revelam novos, inesperados e inéditos;

9 – O seu clássico é aquele que não lhe é indiferente, e que serve para definir a você próprio.

Com estas afirmações o ensaio mostra uma paixão contagiante pela grande literatura de todos os tipos, com a qual me identifico muito. E também porque quero propagar a palavra de que a ficção é importante para profissionais de qualquer área. Deixo a recomendação de uma reportagem do The Guardian com um lindo exemplo de como a leitura de ficção cria bons líderes.

E encerro reiterando uma frase que extraí do texto mencionado acima: ler ficção ajuda desenvolver a capacidade de se expressar em palavras de maneiras variadas. E isso é útil para qualquer pessoa.

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