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A Biblioteca da Meia-Noite, resenha sem spoilers

Pausa na leitura de clássicos para falar de um dos livros mais vendidos no momento: A Biblioteca da Meia-Noite de Matt Haig.

Então que resolvi fazer uma pausa na leitura de clássicos antes de mergulhar no universo de Dostoiévski e decidi dedicar um tempo para ler A Biblioteca da Meia-Noite. O livro de Matt Haig é um dos mais vendidos do momento no momento e a curiosidade é inevitável. Logo entrou para a minha lista e aqui estou para dizer o que achei da obra.

Como o próprio nome do post diz, aqui deixo minha resenha sem spoilers, pois bem sei que faço parte de uma minoria chamada “pessoas que gostam de spoilers”. Mas já aviso que é uma resenha crítica, com minha opinião sobre esta ficção de Matt Haig, o que penso sobre o livro como escritora, leitora, formada em literatura e, principalmente, como pessoa.

A Biblioteca da Meia-Noite – premissa adorável, mas com escrita que deixa a desejar

Tantos pensamentos conflitantes sobre esse livro que nem sei direito como começar! Mas para organizar as ideias, abaixo seguem minhas opiniões sobre a premissa de A Biblioteca da Meia Noite, sobre a linguagem e escrita e uma breve conclusão.

Sobre a premissa de Matt Haig para este romance – achei muito original a ideia de uma biblioteca entre a vida e a morte, onde você tem a oportunidade de saber como seria a vida caso tivesse feito outras escolhas. Eu mesma, desde que me conheço por gente tenho o costume de pensar “como seria se…” sobre histórias da minha vida, sobre histórias de outras pessoas, sobre histórias da ficção. E bem por isso existe o Imaginação Fértil, e bem por isso que minha imaginação voa e qualquer “e se…” acaba virando uma Odisseia.

Mas A Biblioteca da Meia-Noite é também um livro sobre arrependimentos. Nora Seed é uma personagem que se arrepende de muitas escolhas, por isso sua vida tenha tido tantos “e se…” – além da culpa que ela sentia pelas coisas que aconteceram com outras pessoas, por conta de suas decisões pessoais. E aqui neste ponto morreu minha identificação com o livro, pois o único arrependimento profundo que tenho é de não ter focado mais nos meus estudos quando tive a chance para o mesmo. E só.

A grande diferença – e neste caso não rola identificação nenhuma – é que a personagem principal tem muito do próprio autor, passa por situações similares as que Matt Haig passou na vida real. E prefiro não entrar em detalhes por considerar isso spoiler, mas já adianto que são temas delicados.

Sobre a linguagem e a escrita de A Biblioteca da Meia-Noite – penso que é válido trazer aqui algumas notas sobre a leitora. Como já comentei acima, estou na empreitada de ler/reler e resenhar clássicos da literatura universal pois bem sabemos da importância dos mesmos. E creio que bem por isso meu julgamento como leitora sobre obras modernas tenha uma crítica acima da média, mas é justamente aí o que torna relevante ler ficção. Falo de quando ela te acrescenta algo, te faz evoluir, um mínimo que seja, no desenvolvimento da linguagem de quem lê, para escrita, fala e leitura.

E isso foi o que mais me incomodou nesse livro. Pois não existia um equilíbrio; ao mesmo tempo em que trazia informações relevantes sobre ciência, física e filosofia (de forma que um leigo pudesse entender sem se sentir em uma aula do ensino médio), era repleto de diálogos pobres. Com falas que mal passavam de uma palavra (quando bem poderiam ser frases mais elaboradas) – e geralmente termos vulgares ou ultrapassados. E olha que venho da leitura de clássicos, onde termos ultrapassados são maioria, justamente por serem obras antigas.

Sinceramente não sei se posso considerar que isso seja um problema de tradução, pois os diálogos fraquíssimos não davam margem para uma versão brilhante em outro idioma (no caso, li em português do Brasil). E isso, sinceramente, me incomoda muito, pois é um livro que serve apenas para passar o tempo. Ou raiva, expresse-se aí como quiser.

Se eu indico o livro – se você gosta de ler pelo hype, se gosta de leituras fáceis, se quer ler algo que não exija muita reflexão, recomendo. É um romance com uma ideia original, interessante e envolvente. Daqueles que você lê em um final de semana e quer saber o que acontece no final, não importa se não gostou de algum outro aspecto da obra. Se você prefere leituras mais elaboradas, talvez essa não seja a sua praia. Da minha parte prometo voltar com recomendações de “clássicos” modernos e que tenho certeza serem capazes de agradar gregos e troianos. Apenas me aguarde!

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