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Sessão de quinta: Pequeno conto onde o sonho perdura

Nada disposta a divagar sobre o que preciso hoje… por isso replico um texto que escrevi e publiquei neste blog em agosto de 2009. Um tanto poético, outro bom tanto ficcional, criado a partir de um sonho que tive. Apenas um pequeno conto para adiar a conversa.

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Sabe-se lá porque sonhou com um assalto e acordou com a certeza de que iria ter um infarto de tão forte que o coração batia. Levantou em um pulo, sem saber o que fazer, pois nunca tinha tido um infarto e logo foi tomada pelo sono da manhã que arrebata. Decidiu voltar para a cama, mas não sem antes concluir: “Se é para morrer agora, que seja dormindo!”

Quando finalmente levantou, tomou o mate com a leve sensação de que a água estava fria, será que havia perdido a medida? Lá fora ventava e chovia e fazia sol, e de lisa tornou-se crespa num dia que já estava se tornando anormal. Não tanto quanto um quadro de Dali, mas porque os dias que não decidiam se fazia chuva ou sol pareciam-lhe tão estranhos? Lembrou que ele sempre a repreendia por ficar tão impressionada com sonhos e procurou deixar aqueles pensamentos, aquela hora tolos, no outro canto da memória.

As horas andavam arrastadas, como se não quisessem acontecer. A sensação de que não deveria ter saído da cama perdurava e torturava como água morna, em um não sentir frio nem calor. Quando enfim o dia de trabalho terminou, rumou para casa e já na rua, viu-se sozinha num beco estranho, fazendo um caminho que nunca havia feito.

Apertou o passo e no instante seguinte, estava diante de uma figura mal vestida e com cara de louca, que lhe apontava uma arma. Rapidamente deu-se conta de que usava o mesmo casaco do sonho, e antes que pudesse mentalizar a palavra dé jà vu, já havia levado um tiro. Não viu quando o ladrão levou sua bolsa, apenas pensou que teria sido bem melhor se tivesse tido um infarto.

Janina Stasiak – 19/08/2009

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