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Sessão de Quinta: Mote para Insônia

Entre o sono que arrebata e a insônia que te faz escravo, qual dos dois é mais infame?

Eis que tinha sono, e passava os dias perambulando feito mosca em dia quente, que não faz vôo preciso e persistente. Era difícil prestar atenção e como todo dia sonolento como aquele, chorava. Para poucos, a preguiça tem lágrimas e coriza.

Ao esfregar os olhos, sentia um desejo muito forte de se entregar ao sono eterno. Mas não se entregaria, embora soubesse que já não sabia ser persistente como antes. Quando havia desistido de lutar? Já nem lembrava mais.

Foi o passar das horas que trouxe de volta angústias há pouco afungentadas. E se o mundo acabar? E se não existir mais ar? E se a dor que sente agora no estômago nunca mais passar?

Toda inquietação transformou-se em choro. A preguiça deu lugar ao desespero e a dor atordoante. As horas voaram, o dia começou a clarear e o ar, ficou mais quente. Era verão e o cheio ocre da falta de banho e excesso de bebida que seu corpo exalava, voltou às próprias narinas.

Olhou para o chapéu no chão da calçada à sua frente e viu poucas moedas. Calculou que aqueles cacos de esperança não pagavam por um pão e percebeu, enfim, que sua insônia e sua dor de estômago nada mais eram do que resultado de sua fome.

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