Atribuem a Nietzche a frase "Sem música, a vida seria um engano". Concordo com ele. Mas quero ser petulante e parafraseá-lo - "Sem a escrita, a vida seria um erro". Uma lástima, uma tragédia muda. Eis a razão deste site: escrever.
Hoje percebi que desde que fiz 30 nos, passei a ser uma pessoa nostálgica. Coisa chata, uma vez que racionalmente não tenho tempo para ser saudosista. E com a impressão de que estou caducando, passei a ter saudade de algumas pessoas. Um verdadeiro horror, sentir falta de uma pessoa, onde já se viu uma coisa dessas.
Pois bem, o "eleito" para saudade desta semana tem sido o meu pai. Não vejo meus pais desde março; não se precipite ao me chamar de desnaturada, eu apenas não tive tempo de visitá-los, dada a distância de Porto Alegre a cidade onde eles moram.
Parando com os rodeios, ao analisar este sentimento de notalgia que tenho sentido, achei estranho que, quando penso no meu pai, só lembro e falo sobre seu lado meio palhaço. Não que me meu pai seja uma criatura extremamente brincalhona e piadista, bem pelo contrário, é sério e sisudo. Mas me divirto lembrando-me de seu ditos, volta e meia ele fala coisas como "Sacraiuda!" ( de onde ele tirou essa?), "Ô meu galo cinza!" (só para aqueles por quem ele tem extremada admiração e uma dose de intimidade) e "Porca miséria/Porco Dio!" (herdado de minha avô que era italiana).
Acho uma graça quando ele se faz de desentendido com a minha mãe, negando alguma coisa que ela peça. Neste momento ela sai de perto e pela cara de debochado dele percebo que estão contrariando a minha mãe apenas por diversão. Descubro isso porque ele pisca para mim e fica me olhando rindo, com cara de criança que está aprontando. Esta cara, na verdade, já me fez passar por momentos homéricos, como quando ele encena que está entrando com uma das filhas na igreja para levar ao altar, com o nariz empinado de alegria.
Já é lendário entre os que me conhecem a fissura de meu pai pelo chimarrão; pois saibam que o mesmo não senta à mesa para almoçar antes de beber a sua "quota", que nas minhas contas deve ser de umas 14 cuias. E seu jeito bem polaco de contar causos, gesticulando e falando em pé, algo que herdei e nem percebo.
Recentemente este moçoilo esbelto com pouco mais de cinquenta anos que é o meu pai começou a cultivar hortaliças e legumes em um terreno grande que arrendou perto de casa. Montou até um galinheiro caprichado, ai de mim se não trouxer ovos quando vou para lá, visto que ele levanta cedo para preparar minha "colheita". O que não tem graça nenhuma é o fato de que ele coloca naquela terra o tempo que lhe sobra de um dia duro de trabalho, tentando suprir uma lacuna que alguns desvios dessa vida deixaram em suas mais primitivas ambições: a de ter sua terra e cultivar alimentos, tal qual seu pai fazia.
Viu só no que dá ter nostalgia?! No fim das contas não tem graça nenhuma.
Hoje fui almoçar mais uma vez no "sujinho" aqui da frente. Críticas à parte, faço isso porque é o local mais perto onde posso comer arroz e feijão, colocando por terra a teoria da minha mãe de que sou magra demais porque não me alimento bem. É genética, meu pai que o diga. E também porque não vou pagar R$ 20,00 para comer algo que é bom e alimenta em qualquer lugar, com a variante apenas na quantidade de alho aplicado na preparação da iguaria. Cheguei no último lugar disponível para sentar e o que vejo em minha frente? Duas mesas foram retiradas para a colocação de máquinas de jogos (proibidas, diga-se de passagem)! Dois homens conversavam animadamente com uma mulher que tomando cerveja contava que por causa do jogo, perdeu um salão de beleza que tinha e agora, ao invés de empresária, era somente manicure. Eles não se conheciam, o vício no jogo apresentou-os. É a segunda vez que vejo uma mulher viciada em jogo em pouco tempo, e fico a me perguntar o que leva uma pessoa a viciar-se em algo que lapida o patrimônio, destrói a imagem e interfere diretamente nas relações familiares e sociais. Nada bom. Mas o que leva ao vício? O hábito, meus caros. O problema é que somos todos abarrotados de hábitos - bons ou não - dos quais não conseguimos nos livrar. Alguns afetam diretamente a saúde e prejudicam os demais setores de uma vida normal. Outros, como o vício em internet, ainda são considerados como manias inofensivas. Pensando nestas coisas, coloquei meu preconceito no bolso e fiquei com pena de todos nós que não conseguimos nos libertar de certas amarras, que chamamos de manias ou declaramos vícios, dos quais gostamos e não nos esforçamos para acabar.
Sabe-se lá porque sonhou com um assalto e acordou com a certeza de que iria ter um infarto de tão forte que o coração batia. Levantou num salto, sem saber o que fazer, pois nunca tinha tido um infarto e logo foi tomada pelo sono, ao que concluiu: "Se é para morrer agora, que seja dormindo!" Quando acordou, tomou o mate com a leve sensação de que a àgua estava fria, será que havia perdido a medida? Lá fora ventava e tornou-se crespa num dia que estava se tornando anormal. Não tanto quanto um quadro de Dali, mas porque os dias que não decidiam se fazia chuva ou sol pareciam-lhe tão estranhos? Lembrou que ele sempre lhe repreendia por ficar tão impressionado com sonhos e procurou deixar aqueles pensamentos, àquela hora tolos, no outro canto da memória.
As horas andavam arrastadas, como se não devessem acontecer. A sensação de que não deveria ter saído da cama perdurava e torturava como àgua morna num não sentir frio nem calor. Quando enfim o dia de trabalho terminou, rumou paara casa e já na rua, viu-se sozinha num beco estranho, fazendo um caminho que nunca havia feito.
Apertou o passo e no instante seguinte, viu-se diante de uma figura mal vestida e com cara de louca, que lhe apontava uma arma. Rapidamente deu-se conta de que vestia o mesmo casaco do sonho e antes que pudesse mentalizar a palavra dé jà vu já havia levado um tiro. Não viu quando o ladrão levou sua bolsa, apenas pensou que teria sido bem melhor se tivesse tido um infarto.
Estava simplesmente assim. Entre a ponta da espada do Vingador (igualzinho ao personagem do desenho "Caverna do Dragão") e o tridente do Diabo, bem assim, com "D" maiúsculo. Se ao menos fosse anjo para poder voar...mas não era. Era de carne e osso, pobre mortal, para não dizer miserável e indigno.
Naquele instante não sabia se o que mais o consumia era o calor que vinha das chamas do inferno, a fome a torcer o estômago, a sede que ressecou a garganta ou a cabeça que latejava pelas muitas perguntas sem respostas que circulavam nela.
Seria tudo isso uma piada de humor negro? Um pesadelo por estar sufocado onde o ar não circulava? O inconsciente manifestando de forma figurativa os seus maiores temores? Como era possível saber?! Soluçava um choro sem lágrimas, mesmo sem nunca ter acreditado que isso fosse possível. Fechava os olhos e continuava enchergando o fogo cada vez mais próximo a queimar seus negros e longos cabelos.
Vingador respirava raivoso e o Diabo sorria. Deveria dizer o número da besta? Bobagem, já que nunca fora de cultuar o demônio. Ao olhar para os pés que já não sentia, o chão ruía. Foi só o tempo de concluir que estaria suspenso e começou a cair no abismo de chamas, vertiginosamente.
Quando abriu os olhos viu-se deitado em uma banco, sob o sol do meio-dia no Parque Marinha do Brasil. Esfregou as mãos no rosto e sentiu um cheiro que não identificou ser de enxofre. Tirou as roupas maltrapilhas, banhou-se no Guaíba e concluiu que não estava sonhando, apenas vendo o mundo como ele verdadeiramente era.
Eu tinha uma amigo(a) de fé, irmão(ã) camarada(uma palavra que serve para ambos os sexos!). Muitos(as) é bem verdade. Amigos(as) de tantos caminhos, tantas jornadas...Infelizmente nenhum deles era o Erasmo Carlos("uma brasa, mora?!"). Mas a rande maioria dos(as) amigos(as) que eu TINHA, tive a capacidade idiota de abandonar em alguma das esquinas por que passei...só eu sei, né Djavan?!
Alguns/mas perdi porque não encontrei mais a mão para segurar (a minha ou a dele/dela?), outros porque fiz tropeçar...mas para cada amigo(a) que perdi criminosamente, perdi outros dois por castigo, porque estas pessoas (outra palavra unissex) simplesmente não quiseram mais ser minhas amigas!
O que me fez concluir duas coisas:
Primeira e mais óbvia: talvez eu não seja uma pessoa tão legal quanto pense. Ok, quem sabe nem um pouco legal seja melhor.
Segunda: Pode ser que nõ exista, ao final de tudo, esta história de céu e inferno, mas castigo existe com certeza!
O problema é que, contabilizando detalhadamente, percebo que apesar de não ser uma pessoa legal, não fico desejando coisas ruins para os outros (não sou do mal, eu juro!!!), pois dedico meu tempo a desejar coisas boas apenas para minha própria pessoa e, é claro, para aqueles que quero bem.
Então alguém pode fazer o favor de me explicar porque ando recebendo em dobro tudo o que os outros desejam de mal por aí?
Meu pai, o seu Ildo Stasiak, é um homem muito simples que, apesar de ser um jovem senhor (53 anos, nem tem idade para ser vovô!), preservou alguns hábitos e expressões bem mais antigas do que ele. Felizmente (ou não, depende do ponto de vista...) herdei dele aquela coisa de sempre ter uma história para contar, em qualquer conversa...ou um causo!
E já observei isso. Dependendo da idade da pessoa, grau de instrução ou intimidade, meu pai conta um "causo" ou um fato, uma história. Acho que antigamente essa palavra era mais usada, da mesma forma que aquela já aposentada professora de matemática que eu tive no ensino médio usava "cousa", para dizer "coisa". Bem bíblico, porque te juro, de toda a pilha de livros que já li em minha vida, só encontrei esta expressão quando li um pedaço da bíblia. E se não me engano era um "causo"de uma tal de Ruth.
Mas porque "cargas d`agua" eu estava lendo a Bíblia? Esta história eu te conto outra hora...hoje eu acordei antes das galinhas porque um outro causo me acordou. Estou escrevendo ele, já já você poderá ler. Enquanto isso dá uma olhadinha nos tantos outros que estão por aqui.
Uma faca surge estraçalhando a carne e o que cai não é um dedo, mas um bife. Não sangra e isso preocupa, afinal, sabe que dali não sairá o melhor corte. Mas no fundo o fio da faca doía-lhe a mente, pois chovia e tudo o que ele menos queria era estar entre pedaços gigantes de bois e facas afiadas.
Era preciso sangrar para surgirem os versos e a chuva tinha o fio de uma navalha em sua inspiração, feitos como os cortes mais finos, um legítimo filé mignon. Mas como livrar-se daquela fantasia surreal de açougueiro, se era ela que garantia o dinheiro paro o carreteiro de todas as noites?
Um porco berrava nos fundos do local no exato instante em que ela entrou. Sorriu maviosa como sempre e no instante seguinte já me pediu um bife suculento. Naquele momento tudo pareceu sangrar ante minha visão há muito perturbada: a chuva que caía era sangue, a faca que eu segurava tinha formato de punhal. E já não era mais a cabeça que estourava pedindo papel e caneta, era o pulso que sangrava, mas feliz pela possibilidade de versos.
Minha mãe havia me ensinado alguma coisas, entre elas que para o bife ser bom, era preciso sangrar.
O Guns N’ Roses finalmente anunciou (segundo o site Yahoo em 10/10/2008) para 23 de novembro o lançamento do álbum”Chinese Democracy”. É o fim de um período de 14 anos de produção e especulações, e fãs de antigamente esperam sinceramente que toda esta demora tenha valido a pena.
Mas não são somente os atributos físicos de Mister Axel Rose que fizeram com que a banda fosse conhecida mundialmente, arrebanhando fãs por todos os cantos. Guns está presente nas melhores recordações da adolescência de muita gente que está, ou chegará logo, na casa dos 30. Eu tinha 14 anos quando a banda lançou seu último disco.
Por esta época, morava em Independência/RS e é ao som de Guns que lembro do “Paquera na Avenida”, eventos de domingo à tarde, organizados inicialmente pela Rádio Cidade Canção de Três de Maio (depois algumas outras rádios foram adotando a idéia), onde a gurizada reunia-se em um bar para azarar, conversar, encontrar amigos, ouvir recadinhos e boas músicas. Cada domingo acontecia em uma cidade diferente e nas minhas memórias, estas lembranças estão intimamente associadas com as músicas do Guns N’ Roses.
Lembro também que a televisão colaborou em muito por nossa adoração pela figura de Axel Rose...tem coisa mais romântica do que os clipes das músicas Don’t Cry e November Rain? E eles não eram exibidos só na MTV não, em uma época o Fantástico na Globo exibia videoclipes que estavam fazendo muito sucesso, e estes entraram na lista.
Tem uns dois anos que descobri uma música do Guns que nunca tinha escutado, chamada So Fine. Começa lenta e dengosa, depois pega um embalo gostoso que dá vontade de sair dançando por aí. Um repertório muito mais rico do que o que a maioria dos adolescentes escuta atualmente. “Chinese Democracy” está chegando não somente para a ressurreição da carreira do agora barrigudo vocalista, mas também para resgatar muitas coisas boas que estão um pouco esquecidas nos anos 90, mas que nunca deixaram de ser boas.
"Nada existe de grandioso sem paixão", frase de Hegel, que expressa exatamente o que eu sou. Se não tiver sentimento, à flor da pele, não fui eu quem fiz, não fui eu quem disse.